O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
Cap. 3 – HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI
SANTO
AGOSTINHO
Paris, 1862
16 – Entre
essas estrelas que cintilam na abóbada azulada, quantas delas são mundos, como
o vosso; designados pelo Senhor para expiação e provas! Mas há também entre
elas mundos mais infelizes e melhores, como há mundos transitórios, que podemos
chamar de regeneradores. Cada turbilhão planetário, girando no espaço em torno
de um centro comum, arrasta consigo mundos primitivos, de provas, de
regeneração e de felicidade. Já ouvistes falar desses mundos em que a alma
nascente é colocada, ainda ignorante do bem e do mal, para que possa marchar em
direção a Deus, senhora de si mesma, na posse do seu livre-arbítrio. Já
ouvistes falar das amplas faculdades de que a alma foi dotada, para praticar o
bem. Mas ai!, existem as que sucumbem! Então Deus, que não quer aniquilá-las,
permite-lhes ir a esses mundos em que, de encarnações em encarnações podem
fazer-se novamente dignas da glória a que foram destinadas.
17 – Os
mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os
felizes. A alma que se arrepende, neles encontra a paz e o descanso, acabando
por se purificar. Sem dúvida, mesmo nesses mundos, o homem ainda está sujeito
às leis que regem a matéria. A humanidade experimenta as vossas sensações e os
vossos desejos, mas está isenta das paixões desordenadas que vos escravizam.
Neles, não há mais o orgulho que emudece o coração, a inveja que o tortura e o
ódio que os asfixia. A palavra amor está escrita em todas as frontes; uma
perfeita equidade regula as relações sociais; todos manifestam a Deus e
procuram elevar-se a Ele, seguindo as suas leis.
Nesses
mundos, contudo, ainda não existe a perfeita felicidade, mas a aurora da
felicidade. O homem ainda é carnal, e por isso mesmo sujeito às vicissitudes de
que só estão isentos os seres completamente desmaterializados. Ainda tem provas
a sofrer, mas estas não se revestem das pungentes angústias da expiação.
Comparados à
Terra, esses mundos são mais felizes, e muito de vós gostariam de habitá-los,
porque representa a calma após a tempestade, a convalescença após uma doença
cruel. Menos absorvido pelas coisas materiais, o homem entrevê melhor o futuro do
que vós; compreende que são outras as alegrias prometidas pelo Senhor aos que
se tornam dignos, quando a morte ceifar novamente os seus corpos, para lhes dar
a verdadeira vida. É então que a alma liberta poderá pairar sobre os
horizontes. Não mais os sentidos materiais e grosseiros, mas os sentidos de um
perispírito puro e celeste, aspirando às emanações de Deus, sob os aromas do
amor e da caridade, que se expandem do seu seio.
18 - Mas,
ah!, nesses mundos o homem ainda é falível, e o Espírito do mal ainda não
perdeu completamente o seu domínio sobre ele.
Não avançar
é recuar, e se ele não estiver firme no caminho do bem, pode cair novamente em
mundos de expiação, onde o esperam novas e mais terríveis provas. Contemplai,
pois, durante a noite, na hora do repouso e da prece, essa abóbada azulada, e
entre as inumeráveis esferas que brilham sobre as vossas cabeças, procurai as
que levam a Deus, e pedi que um mundo regenerador vos abrisse o seu seio, após
a expiação na Terra.
Fonte da imagem: Internet Google.
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